quinta-feira, 2 de março de 2023
A Vantagem de Ser Escriba (sem data)
quinta-feira, 5 de maio de 2022
O atual cenário
Para entrar no meu emprego atual, fiz uma redação no qual falava como figuras como Eike Batista e Bel Pesce decepcionaram aqueles que acreditaram neles.
Agora, vejo um cenário semelhante: Magalu, Nubank e Netflix foram grandes promessas, mas agora estão dando problema. Warren Buffett fez uma forte crítica as criptos, outra esperança das pessoas.
Parece que estamos num ambiente que surgem muitos negócios e oportunidades novas, mas ao mesmo tempo modelos promissores desabam como castelos de cartas. Temos várias empresas e investidores individuais procurando o novo "Oceano Azul", mas por enquanto estamos num mar vermelho, onde se mata e morre por qualquer oportunidade.
Qual o segredo para se conseguir o lugar ao Sol num cenário tão incerto, aonde ‘’tudo que é sólido desmancha no ar?’’ Acredito que ao mesmo tempo que é um mundo que busca inovação, não se deve esquecer do que os nossos ancestrais já sabiam que dava certo:
‘’Não trocar dinheiro por papel pintado’’: evite achar que estar movimentando um monte de dinheiro significa estar realizando lucros.
‘’Não colocar o carro diante dos bois’’: não realizar projetos avançados demais, que depois não vai ter condições de efetivar comercialmente.
‘’Se saíres para a vingança, prepara duas covas’’ : se você tem um concorrente que realiza práticas predatórias, copiá-lo nesse intento provavelmente levará a destruição de ambos.
Essas, e outras frases da sabedoria popular e dos livros sagrados, nos permitem ter sabedoria para viver mesmo nesse ambiente incerto, e quiçá alcançarmos a vitória.
terça-feira, 2 de novembro de 2021
Notas Filósoficas- Nº 24: Escolhendo Lados II
sábado, 1 de maio de 2021
SOBRE A CIÊNCIA E O SENSO COMUM
Autores como Olavo de Carvalho, Ayn Rand e outros tem certa popularidade porque usam uma retórica falsamente científica, mas que apela fortemente para o senso comum. A ciência, por si só, não é superior ao senso comum, muito pelo contrário.
Ela só se tornou possível, graças a Filosofia, que nos seus primórdios extraía premissas das situações utilizando o senso comum como ferramenta de investigação.E assim a gente segue nosso caminho.
domingo, 11 de abril de 2021
Reflexão sobre a Educação
Texto de um trabalho realizado na UNEB, no qual se pedia que se fizesse uma reflexão sobre Educação.
''Em todas
as instituições de ensino que estudei e trabalhei, via uma contradição expressa
entre a retórica progressista e a prática efetiva que elas realizavam. Nas
escolas particulares, mesmo eles praticando uma pedagogia formalmente
libertária, eu via os professores e funcionários tendo que trabalhar anos seguidos
sem sequer terem reposição de inflação, e sem poderem fazer greves devido a
isso porque sabiam que seriam demitidos na primeira oportunidade.
Na
escola pública, por outro lado, eu via os piores professores e alunos, em todos
os sentidos, serem justamente os que mais puxavam greves, ambicionando cargos
na estrutura escolar e do movimento estudantil.
Eu via
escolas que falavam em ‘’educação inclusiva’’, em formar o ‘’sujeito
histórico-crítico’’, deixarem os alunos a mercê de professores e coordenadores
que praticavam todos os tipos de abusos porque eles eram apoiadores da direção
ou da reitoria.
Além
disso, eles falavam sobre ‘’promover a saúde mental’’, e não faziam nada em
relação aos alunos, professores e funcionários que entravam em colapso nervoso
todos os dias devido a carga estressante de estudos e trabalho, sem contar o
clima de perseguição aonde aqueles que fossem pegos no menor deslize sofriam
processos e sindicâncias.
Ao mesmo
tempo em que eles criticavam a ‘’educação bancária’’, faziam questão de exibir
a quantidade de alunos que conseguiam mandar para os cursos mais cobiçados de
faculdades importantes, não importando para isso que a vida social e afetiva
dos alunos fossem totalmente destruídas no processo.
Isso me
deixou com a impressão de que boa parte do que se fala na Educação é apenas
retórica. Sim, acabaram as palmatórias, o rezar no milho, as cartas recomendando
aos pais darem uma surra nos filhos por terem se comportado mal na escola.
Existem
cada vez menos pais e professores que dizem que para o aluno que ‘’se ele não
estudar, só vai servir para ser vigilante noturno, auxiliar de serviços gerais,
frentista de posto ou para ser vagabundo. ’’ Esse é um ameaça psicológica que
está tão manjada, que os filhos e alunos tendem a cair cada vez menos nela. O
filho ou aluno podem simplesmente responder de volta: ‘’E o senhor, que estudou tanto, só conseguiu ser um assalariadozinho
de terceiro escalão e vai morrer tendo uma aposentadoria medíocre. ’’
Hoje em
dia, porém, é o próprio sistema que se encarrega de dizer isso as pessoas,
através de um código moral que divide a sociedade agudamente entre os vencedores,
que conseguiram responder com sucesso aos desafios da vida, e os fracassados,
que por não conseguirem aguentar o peso das crescentes responsabilidades que
surgem no mundo moderno, acabam sendo relegados ao desemprego ou as funções que
os vencedores não desejam.
Apesar
de toda a retórica igualitária e progressista, a escola é um dos espaços aonde
essa lógica dos vencedores e fracassados se apresenta de forma mais
contundente. Há os vencedores, que tiram boas notas, são populares tanto com os
professores como com a maioria dos colegas e tem várias namoradas, e há os
fracassados, que tiram notas ruins, os professores e colegas apenas toleram, e
tem chances consideráveis de chegarem à idade adulta ainda virgens e sem
ninguém.
Apesar
de existir uma falsa ideia, difundida pela mídia, de que ‘’um dia os nerds é que vão ser os patrões enquanto os populares vão
ser os empregados’’, quem já é excluído na escola dificilmente vai chegar
longe na vida. Vão ter uma carreira profissional confusa e errática, uma vida
amorosa e familiar marcada pela baixa auto-estima e pelos traumas da juventude,
uma vida social pior ainda.
E nem
mesmo aqueles que foram ‘’vencedores’’
na escola estão a salvo de sofrerem o mesmo destino, porque quando entrarem no
mundo adulto, aonde sua popularidade da adolescência não tem valor, eles podem
entrar num processo de angústia existencial para o qual não foram preparados,
porque não foram forçados a amadurecer já na juventude.
A
educação falsamente progressista, que alega ser libertária, mas não combate na
raiz a dicotomia entre vencedores e fracassados imposta pela sociedade
burguesa, é uma educação que serve apenas como reprodutora de mão de obra para
o sistema, sob a falsa premissa de que estaria libertando o trabalhador ou o
cidadão ao oferecer a ele uma ‘’formação
crítica’’, e ainda assim fortemente enviesada e partidária.
Essa
educação só tolera críticas a classes externas a ela, como a alta burguesia, a
classe média conservadora e aos empresários, pois quando se fazem criticas a
sua relação promíscua com a política, sua visão pequeno-burguesa do mundo, ou
os seus próprios pequenos privilégios, ela busca desqualificar cruelmente quem
põe tais pontos em questão.
Caso
aquele professor que surgiu no filme ‘’A Sociedade dos Poetas Mortos’’ fosse
transportado para os tempos de hoje, ficaria surpreso como, apesar da educação
ser muito menos repressiva do que a da época retratada no filme, ela permite
existir um clima de crueldade mental aonde os alunos se matam de estudar sem
terem garantias de que encontrarão bons empregos quando se formarem, e os
professores, assoberbados de trabalho, literalmente se matam por não
conseguirem encontrar uma razão para o que estão fazendo, porque não conseguem
mais enganar os alunos com a promessa de um futuro radiante que não enxergam
nem para si nem para os próprios filhos.
Por
isso, eu acredito que para resinificarmos a Educação em relação ao clima de
estagnação na qual ela se encontra, e criarmos um ambiente escolar aonde os
alunos possam realmente se expressar como seres humanos completos e complexos,
precisamos primeiro rever nossa própria visão de sociedade, e pararmos de
sermos progressistas na retórica, e repressivos nas práticas efetivas que
realizamos.''
O Negro no Brasil- Resenha
O excelente livro de Leandro de Assis aborda uma questão espinhosa para muitos: qual deveria ser o principal critério para definir quem teria direito ou não as cotas raciais, ou seja, se o critério deveria ser o fenótipo (cor da pele e outros marcadores físicos) ou o genótipo ( a autodeclaração feito pelos próprios interessados, por possuírem um ou mais ascendentes pertencentes as etnias desfavorecidas). Usando argumentos muito elegantes e inteligentes, embasados numa lógica e jurisprudência impecáveis, Leandro se posiciona como partidário da segunda opção.
O livro se inicia com um resumo histórico da situação do negro no Brasil, versando especialmente sobre a marginalização dos afrodescendentes após o fim da escravidão, levada a cabo através de politicas de branqueamento e de criminalização dos excluídos, o que acabou jogando os recém-libertos numa posição de miséria e subalternidade.
Chegando aos tempos contemporâneos, quando as políticas de reparação começaram, Leandro busca argumentar que usar como critério de inclusão nessas políticas o fenótipo poderia gerar, por parte do Estado, uma nova violência contra aqueles que carregam todas as consequências dos anos de escravidão e discriminação, independentemente de sua aparência física mais evidente.
Embora o próprio autor não expresse isso, pode-se considerar que políticas de reparação baseadas no fenótipo poderiam promover o que poderia se chamar de ‘’apartheid politicamente correto’’, que fatalmente degeneraria numa espécie de supremacismo estético amparado pelo Estado.
A forma de se evitar isso seria a adoção do modelo do genótipo embasado na autodeclaração, que apesar de possivelmente permitir que pessoas com quase nenhuma ascendência negra a assumirem vaga destinadas a negros e pardos, evitaria o abuso de poder por comitês raciais que agiriam com um viés ideológico excludente.
Leandro conclui seu belo tratado
conclamando que as leis que garantem o ensino da história da África,
tanto nas aulas de História Geral como numa matéria criada
especificamente para esse fim, sejam postas em prática, para que o
orgulho pelo papel deste continente em nossa formação nacional
venha a ser verdadeiramente valorizado por nossas novas gerações.
Caso tenha interesse no livro: https://www.amazon.com.br/Negro-Brasil-Hist%C3%B3rico-Desvantagens-Repara%C3%A7%C3%A3o-ebook/dp/B08WLFSQDG
domingo, 21 de março de 2021
O Professor de História e a Contemporaneidade
Segundo os detratores, depois de ficar dez ou mais anos fazendo um curso que deveriam ter feito em quatro ou cinco, os egressos vão geralmente para a Educação Pública, aonde passarão mais tempo planejando greves, conspirando para manipular as eleições de diretores, e doutrinando os alunos a se filiarem a partidos políticos, do que de fato ensinando qualquer coisa que seja proveitosa aos alunos na faculdade e no mercado de trabalho.
É inegável que tal estereótipo tem certa base na realidade, porque convivi, nas escolas em que estudei e trabalhei ao longo da vida, com pessoas e grupos que se encaixam nele quase ao ponto do caricatural. Os praticantes desses tipos de atos geralmente justificam esse desserviço que prestam a Educação com a frase de efeito ‘’mas tudo o que fazemos é um ato político!’’, como desculpa para poderem praticar política no pior sentido do termo, de forma faccional e enviesada.
Felizmente eles são uma minoria na Educação, que na grande maioria é formada por pessoas que levam muito a sério suas funções, e cuja ação política é dar aos alunos as melhores aulas e assistência pedagógica que as condições lhes permitem, e até além do que é esperado pelos regulamentos. Diante dessa realidade, fica óbvio que o clichê do ‘’professor doutrinador’’ é apenas um espantalho manipulado habilmente por pessoas que promovendo grupos como o infame ‘’Escola sem Partido’’, são bastante partidárias e faccionalistas elas próprias.
Todavia, é ilusão esperar que uma graduação possa mudar as perspectivas espirituais e profissionais de uma pessoa. Quem chega a faculdade sem uma visão de mundo já formada dificilmente vai conseguir manter a que adquiriu nela após confrontar a realidade profissional efetiva, e quem já não tiver uma carreira profissional já em processo de construção dificilmente vai melhorar isso graças à faculdade.
Quando as pessoas esperam demais de uma graduação ou formação profissional, quase sempre acabam se desiludindo quando a vivência real não corresponde as expectativas. O curso de História, assim como qualquer outro, deve servir como complemento a um planejamento profissional anterior e maior, e não como o centro de todos os planos da pessoa. Se ela não fizer isso, pode se desiludir ao enfrentar um mercado de trabalho competitivo e hostil, aonde todos os esforços que ela fez para se qualificar com distinção não tem valor algum.
Acho errado, porém, subestimarem História como um curso sem futuro, porque conheci várias pessoas, que ainda que não trabalhem na área de formação, conseguiram boas colocações na política e no serviço público, e ascensão no serviço privado, graças a graduação que fizeram. Sim, existem muitos historiadores desempregados ou empregados de forma precária, mas hoje em dia pode se dizer o mesmo de muitos engenheiros, advogados e até mesmo médicos.
Quanto a função política do professor de História, sempre acreditei que o civismo e o patriotismo devem vir a frente de qualquer posição partidária ou filosófica que porventura ele tenha. Já chegaram a me dizer que o ‘’civismo’’ é um termo herdado da ditadura, mas eu pessoalmente não me importo com essa alegada conotação negativa.
Considero um desperdício ver professores que jogam fora o potencial intelectual dos seus alunos ensinando-os a idolatrar Marx, Lenin e Che Guevara, ou então Mises, Hayek e Thatcher, e não apresentam a eles figuras como o Barão de Mauá, o Marechal Rondon, ou Cipriano Barata.
Para mim a História deveria instilar nos alunos não a luta de classes nem a falsa meritocracia, mas acima de tudo o orgulho de terem nascido e crescido num país que já foi habitado por indivíduos portadores de grande talento, força de vontade e envergadura moral. Se sentindo herdeiros desse legado, eles procurariam emular essa grandeza em suas vidas pessoais, em vez de perderem tempo com visões equivocadas e alienígenas de como o mundo funciona.
Assim como todos os países, nós temos o que poderia ser chamado de ‘’Legado Cívico’’ herdado de regimes e modos de produção anteriores, e a História, a meu ver, pode ser a ferramenta para transformar a força bruta e inexplorada deste Legado em energia para mudar nossa realidade para melhor, superando as contradições internas de nosso desenvolvimento e criando uma pátria próspera e segura para todos.
sexta-feira, 6 de novembro de 2020
Bolsonaro, Guerrilheiro e Revolucionário
A esquerda comete um grande erro em relação ao Presidente da República, o Sr. Jair Messias Bolsonaro. Esse equívoco, bastante infantil por sinal, consiste em insistir em achar que o Presidente, após conseguir ser eleito para variados pleitos legislativos há quase 30 anos seguidos, eleger 3 filhos e variados apoiadores Brasil afora, vencer a última eleição presidencial, e passar incólume por vários escândalos e pedidos de impeachment, é um ser completamente imbecil, desprovido de qualquer réstia de inteligência. Sim, é inegável que além de não possuir nenhum refinamento e decoro, ele ainda se orgulha desse fato- mas isso está muito longe de não possuir inteligência.
Na verdade, o Presidente possui um tipo muito específico de inteligência, o mesmo apresentado por figuras como Benito Mussolini, Joseph Stálin, Francisco Franco e Idi Amim Dada; um profundo senso de oportunidade política, um tipo de inteligência na qual o indivíduo inclusive se faz, propositalmente, ser enxergado como estúpido por seus adversários, que por sua vez, ao se enxergarem como seres muito inteligentes, o subestimam enquanto ele vai crescendo no nos bastidores e no submundo, até ser tarde demais para impedi-lo de conseguir o que quer. Os possuidores desse tipo de inteligência surpreendem aqueles que se recusam a enxergar seu paulatino avanço dentro das instituições, subvertendo-as a medida que vão se infiltrando nelas.
Os arrogantes e destreinados apenas enxergam essa realidade quando ela, já completamente tomada, se torna irreversível. No caso específico de Bolsonaro, é possível dizer algo mais: ele aprendeu a ser revolucionário, enquanto a esquerda, por sua vez, se tornou conservadora. O leitor pode querer parar o texto nessa parte, mas peço que tenha paciência para continuar, e me permita explicar porque escrevo o que escrevo.
Dentro de uma visão militar, revolucionário é aquele que se propõe a lutar contra uma dada ordem estabelecida, a partir de uma posição inicial de desvantagem, para através de uma conflagração revolucionária, mudar a ordem a seu favor. Conservador, por sua vez, é aquele que, sendo favorecido pela ordem estabelecida, deseja que tudo continue como está, ou evolua apenas no sentido de favorecê-lo. Desse ponto de vista, a esquerda então dominante poderia ser classificada como A Ordem, o establishment por excelência, enquanto o grupo formado por MBL, Lobão, Moro, Olavo de Carvalho, e o próprio Bolsonaro, eram La Résistance, os rebeldes contra essa dita ordem, que teria passado a dominar o Brasil a partir das eleições de 2002.
Comparado aos outros guerrilheiros da direita, porém, Bolsonaro possuía uma vantagem: uma plena consciência, possivelmente ganha através de seu treinamento como oficial das FFAA, de que estava travando uma guerra cultural, ou disputa de narrativas, da qual sairia vencedor no longo prazo, graças a muita paciência e sangue frio. A vitória de Bolsonaro em 2018 se deveu justamente a utilizar estratégias tomadas de George Washington, Mao Zedong e Fidel Castro, estratégias que o resto da direita considera heresias e a esquerda desaprendeu a utilizar. Entre elas, estariam as seguintes:
1) Apenas desafie o inimigo para uma batalha campal, depois de tê-lo esgotado através da guerrilha e da subversão:
Bolsonaro passou anos ajudando a desmoralizar a esquerda, através de sua atuação no Legislativo, mas só realizou uma ofensiva para o cargo executivo mais elevado, quando teve plena certeza de que poderia vencer a disputa.
Bolsonaro passou parte considerável de sua carreira em partidos da base aliada tanto do PSDB como do PT, recebendo repasses dos próprios operadores financeiros de seus dois maiores adversários. Isso gerava ainda maior vergonha para eles, por não poderem removê-lo do cenário sem receberem punições dos próprios partidos que constituíam sua base de apoio.
3) Converta os maiores apoiadores de seu inimigo nos seus soldados mais fanáticos:
Um número não pequeno de apoiadores de Bolsonaro, consiste de gente que votava no PT ou em outros partidos de esquerda, não raro desde 1989. Essas pessoas, que eram defensoras fanáticas do PT e de Lula, se tornaram os apoiadores mais fervorosos de Bolsonaro. São pessoas que, desiludidas com a corrupção e decadência da esquerda tradicional, abandonaram seu antigo messias, buscando um novo profeta para tomar seu lugar.
4) Deixe os adversários e concorrentes se autodestruírem ou se matarem entre si:
Foi o que aconteceu tanto como líderes progressistas, como Cristovam Buarque, Marina Silva, e o próprio Lula, como com aqueles vistos como conservadores, como Aécio, Alckmin, Moro, etc… Bolsonaro deixou todas essas figuras se desgastarem ou brigando entre si, ou com a Justiça e a mídia, enquanto mantinha sua imagem intacta. Dessa forma, dentro da direita e do centro, não existe possibilidade de surgir tão cedo alguém que possa tomar seu lugar, e a esquerda está dividida por disputas partidárias e ideológicas, sem se decidir por um líder capaz de desafiá-lo.
5) Demonstre força moral:
Enquanto o campo progressista se deixou mostrar como imoral, depravado e corrupto, Bolsonaro construiu cuidadosamente para si uma imagem diametralmente oposta: a de alguém integro, correto, que se importa com os valores da família. Pouco importa se a imagem da esquerda se tornou manchada devido aos atos de uma minoria que não representa o todo, e que a imagem projetada por Bolsonaro não engane quem faz uma análise crítica de sua trajetória: é essa narrativa que foi vendida para a massa do público, e não irá se desfazer tão cedo.
domingo, 19 de julho de 2020
Os limites do humor
Eu acompanhava os vídeos do influenciador Mário Júnior através de minha noiva, que me mostrava no seu celular gravações originais e paródias editadas, das produções do jovem rapaz. Ver esses vídeos eram uma parte divertida dos meus dias de quarentena, num época aonde existem tantas pessoas sofrendo. Para minha triste surpresa, ela me passou um vídeo mostrando o jovem em questão quase chorando, após ser humilhado numa entrevista com a equipe do Pânico na TV. Senti uma grande pena do rapaz, e revolta diante da tremenda insensibilidade dos entrevistadores. Eles puniram Mário pelo crime de ser melhor humorista do que eles jamais seriam, pois produzem um humor decadente e apelativo que não chega aos pés do que ele produz.
Senti vergonha de mim mesmo, por, quando mais jovem, acompanhar o Pânico, e sentir graça de piadas que hoje percebo não terem graça nenhuma. Piadas humilhando mulheres, minorias, pessoas em situação de rua e várias outras categorias de pessoas que já sofrem o suficiente sem ninguém ficar tripudiando delas.
Há não muito tempo atrás, lembro que o auto-denominado‘’humorista’’ Danillo Gentili fez piada com uma mulher que doava leite materno para mães que, por variadas razões , não conseguiam fornecer leite para os próprios filhos. A mulher processou o ‘’humorista’’ e logrou vitória, porém teria ficado tão traumatizada com a situação, que não conseguiu fornecer leite, privando várias crianças desse alimento tão vital, que ela fornecia sem esperar nenhum ganho por isso além da satisfação de fazer o bem.
Da mesma forma os ‘’humoristas’’ do Pânico, quiseram tirar vantagem do jovem Mário Júnior, que através de sua arte, produzia felicidade para pessoas que, além de todas as dificuldades que passavam normalmente em suas vidas, sofrem com os efeitos da crise mundial do COVID-19. Diante disso, fica a pergunta: a quem serve um ‘’humor’’ que ao invés de deixar as pessoas felizes e motivadas, apela para os instintos mais baixos do ser humano, como a inveja, o senso de superioridade e o despeito? Como bombeiro militar, cuja função, junto com meus colegas de farda, é salvar vidas, me solidarizo com o jovem Mário Júnior, pois ele pode ter ajudado a evitar que várias pessoas fizessem mal a si mesmas, por se sentirem felizes e acolhidas pelas mensagens de amor e esperança que ele passa.
Não é verdade que o seu trabalho, jovem Mário, é algo passageiro e que será logo esquecido quando surgirem outras novidades. Você poderá não ter a mesma visibilidade de agora, mas tem potencial para evoluir muito mais nas artes cênicas, estudando e aprimorando o talento nato que você possui. Mantenha a força, e grande abraço.
terça-feira, 30 de junho de 2020
Pedagogia do Interregno
Texto realizado na UNILAB, no ano de 2017, como resposta a uma atividade sobre Boaventura de Sousa Santos.
''Ao invés de fazer perguntas separadas, achei mais apropriado deixar meus questionamentos num único texto. Acredito numa alternativa algo diferente da proposta por Boaventura de Sousa. Eu acredito que os problemas que hoje afetam países como o nosso poderiam ser resolvidos através de uma narrativa heroica, que unificasse o povo em torno de um projeto nacional.
Acredito que a alternativa proposta por Boaventura não tem viabilidade devido a dois grandes fatores. Primeiro, depende de uma solidariedade internacional difícil de sustentar diante das divergências de interesses locais, e segunda, deriva de uma esquerda que está tão esgotada quanto as outras ideologias de origem ocidental.
A pedagogia libertadora que ele propõe, não é de interesse sequer aos governos e regimes de cunho progressista, porque o que eles chamam de educação libertadora é na prática formação de militantes partidários ou de causas sociais restritas, e é na prática tão conformista quanto a educação hegemônica a que se propõe como antítese.
A época atual aparenta ser nebulosa porque se trata de uma época de interregno, aonde a liderança euro-americana está ao pouco sendo substituída por uma liderança sino-indiana; e como a existência da ameaça nuclear e a interdependência financeira impossibilitam a troca de liderança através de uma guerra aberta, ela ocorre através de um lento apodrecimento da hegemonia euro-americana, enquanto o novo núcleo, também em situação questionável, amadurece para assumir seu lugar, podendo definir uma nova ordem mundial no processo.
Uma pedagogia mais adequada a essa realidade, aonde cada país ou bloco regional teria de aprender a sobreviver por si mesmo num mundo crescentemente desregulado e sem leis claras, poderia ser chamado de pedagogia do interregno. Seria uma pedagogia centrada em valores como orgulho nacional, civismo, e dever, valores deixados de lado tanto pela elite liberal como pela esquerda nos anos 90, e que poderiam fazer emergir da juventude uma vanguarda que liderasse o país pelo exemplo, permitindo a superação da crise econômica e do esgotamento moral que ocorrem atualmente.''
Redação CBMBA- Tecnologia
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