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sexta-feira, 23 de abril de 2021

Resenha: HAMILTON, de Lin Manuel Miranda



Eu adquiri uma janela da Disney+ com um colega, e não me arrependi. Comecei a botar em dia os filmes da Pixar e da Marvel que eu perdi desde que a Disney saiu da Netflix e dos outros streamings, comecei a acompanhar The Mandalorian, e parei para ver, apenas por curiosidade, a peça ''Hamilton'', de Lin Manuel-Miranda.

Eu conheci parte da história de Alexander Hamilton, a personalidade retratada na obra, num livro americano bem velhinho que achei numa escola que trabalhava. Achei maravilhosa a semelhança da sua biografia com aqueleas do Barão de Mauá e Ferdinand de Lassale, duas figuras históricas que admiro muito.

Lin-Miranda consegue tornar interessante uma história que seria chata para os padrões atuais, imprimindo uma pegada pop as passagens da vida do político e empreendedor Hamilton- retratando sua vida desde que chegou as 13 Colônias, até seu envolvimento com a Revolução Americana, e sua brilhante, ainda que um tanto turbulenta, participação na formação do novo país que surgiu após a expulsão dos britânicos.

Assim, pode-se dizer que ‘’Hamilton’’ está entre os melhores conteúdos, de um streaming que já tem um acervo muito bom. Quem dispor seu tempo para assistir, não irá se arrepender.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2021

Resenha: Um Reino Unido


      Quem me recomendou esta obra foi meu pai, que já tinha me recomendado antes o não menos excelente ''Meu Nome é Dolemite''. O filme conta a história, baseada em fatos reais, do que seria o primeiro presidente da Botswana independente, o então príncipe herdeiro do protetorado britânico da Bechuanalândia, Seretse Khama, vivido pelo ator  brito-americano David Oyelowo. 
        Perto de terminar o curso de Direito em Londres, ele se apaixona pela bancária Ruth Williams(Rosamund Pike) e igualmente apaixonados, ambos decidem se casar, mesmo sabendo que isso encontrará oposição não só da sociedade britânica, como do próprio povo de Seretse, e do governo da África do Sul, que tinha começado a implementar a política do apartheid. Quando, já casados, ambos decidem ir para a terra de Seretse, que até então estava sendo governada por seu tio, ele consegue convencer seu povo a aceitar uma rainha de origem estrangeira e raça diferente, e Ruth logo consegue entrar nas graças de seu novo povo, apesar do tio de Seretse se afastar por desgosto.
      Além disso, o governo britânico, dependente dos minérios fornecidos pela África do Sul, se recusa a empossar Seretse como rei como seria previsto. Ele acaba sendo exilado na Grã-Bretanha, e deixa Ruth para trás, com medo de que o governo britânico os prendesse para sempre na metrópole caso ambos deixassem sua terra para trás. Após isso, se segue uma grande batalha legal e política, para Seretse conseguir reverter o exílio, e voltar não só para sua terra, como para sua esposa, que deu a luz a uma filha enquanto ele estava fora. 
       Não contarei o resto da história para evitar spoilers, mas o filme conta uma história de esperança num momento triste como o que vivemos, que conta a história não só de um líder que conseguiu lutar contra o racismo ainda antes de Malcom X e Nelson Mandela surgirem, mas também tornar seu país uma terra pacífica e democrática, um dos poucos países do Terceiro Mundo que, após se libertar dos seus colonizadores, não foi tomado por guerras e conflitos.

Aonde ver:

O filme se encontra disponível no catalógo da Netflix.

domingo, 18 de outubro de 2020

O filme que inspirou o novo jogo do momento



     
   Numa comunidade de colegas do trabalho, vi referências ao jogo Among Us e fiquei curioso para saber sobre o mesmo. Pesquisei no site no qual gosto de pesquisar sobre produtos de mídia, o TV Tropes, e vi que no mesmo constava que o enredo do jogo, além de ser baseado na jogo presencial ‘’Werewolf’’, criado a partir de um jogo soviético chamado ‘’Mafia’’, também tem muitas referências de um grande filme dos anos 80: ‘’The Thing’, de John Carpenter, exibido aqui no Brasil sob o nome ‘’O Enigma de Outro Mundo’’, que por sua vez é baseada no conto ‘’Who goes there?’’ do autor John W. Campbell. 

Nesse filme, uma equipe científica americana na Antártida se depara com os restos de uma base norueguesa cheio de cadáveres carbonizados, em formas que mal lembram corpos humanos de verdade. O único sobrevivente da base são dois homens que tentam desesperadamente matar um cachorro, que eles recolhem, matando os dois homens achando que eles estavam loucos. Em pouco tempo, porém, eles descobrem que o cachorro é portador de uma forma de vida alienígena que toma as células de todas as criaturas vivas com as quais entra em contato físico- e cujos portadores são indistinguíveis dos seres normais, exceto pelo fato de que, quando cortados em pedaços, se subdividem em criaturas menores, que passam a lembrar cada vez menos as criaturas originais que infectaram. 

Surge então um clima de tensão na base, na qual ninguém consegue saber quem ainda é humano e quem é infectado, até os sobreviventes conseguirem um meio para discernir quem é quem, numa corrida contra o tempo para evitar que as criaturas consigam criar uma nave para irem para outros lugares do mundo, ou consigam se congelar num lugar seguro até uma equipe de resgate chegar, e sendo infectada por eles, propagar o ‘’vírus’’ que eles possuem para o resto do mundo. Enfim, um enredo bastante semelhante ao jogo que fez tanto sucesso recentemente. Acredito que o filme ainda está disponível na Netflix, aonde o vi originalmente. Vale a pena a assistida.







segunda-feira, 30 de março de 2020

Resenha- Dois Papas



Assisti ontem esse maravilhoso filme. Ele não é feito para quem gosta de ação ou disputas de poder- mas para quem tem paciência e um espírito filosófico. Misturando realidade com um pouco de ficção, o filme é baseado na interação entre duas figuras com idéias bastante díspares do que significa liderar, cada um deles com suas convicções e contradições.
Antes de ver esse filme, eu não nutria grande simpatia pelo Papa Bento XVI, mas vendo a brilhante interpretação feita por Anthony Hopkins, pude o compreender melhor como ser humano- alguém com suas falhas e imperfeições, mas disposto a abrir espaço para alguém que pensa diferente dele porque sabe que essa pessoa trará mudanças que sua organização precisa.
Quanto ao Papa Francisco, interpretado de forma não menos brilhante por Jonathan Pryce, ver a versão mostrada no filme aumentou ainda mais meu respeito por ele- porque percebi nele uma pessoa que teve que tomar decisões dificeis para proteger aqueles que amava, e sentindo culpa pelos erros que cometeu, passou a buscar redenção por esses erros.
Fortemente recomendado para estes tempo de quarentena, mesmo para quem não é católico ou religioso.

quarta-feira, 15 de maio de 2019

Resenha: Eu Sou a Lenda



Este livro é mais conhecido como ''Eu sou a lenda'', uma tradição mais fiel do seu título original norte-americano. Conta a história de Robert Neville, um homem que se tornou o último sobrevivente conhecido de um apocalipse biológico que converteu a raça humana em vampiros sugadores de sangue, que saem a noite atrás dos últimos mortais que sobram na Terra. 

Neville passa as noites, o momento em que os vampiros estão ativos, trancado numa casa que converteu em fortaleza contra os infectados, e os dias refazendo as proteções danificadas pelos adversários, e procurando por suprimentos e sobreviventes. Até que um dia, finalmente, localiza uma outra sobrevivente, que inicialmente foge dele, mas acaba convencida a vir a sua casa. Lá, Neville mostra a ela as pesquisas feitas sobre as causas do vampirismo, e como ele tem conseguido eliminar a maior parte dos vampiros durante os dias.

Só que Neville acaba descobrindo sobre sua hóspede mais do que gostaria de saber... cessam aqui os spoilers do livro, que também ganhou uma versão em quadrinhos.



O filme de 2007, com Will Smith a terceira adaptação conhecida da obra para os cinemas, dá a história original um tratamento interessante. Dessa vez, o meio de infecção não é uma bactéria exótica, mas um vírus alterado geneticamente para realizar a cura do câncer- que dá tremendamente errado, matando boa parte da humanidade e convertendo a maioria dos restantes em mutantes canibais. Nessa versão, Neville é um virologista treinado que vive numa Nova York tomada por animais selvagens e pela versão do filme dos infectados, que busca diariamente a cura para o vírus dentro de um laboratório em sua casa. 

A atuação de Will Smith, que contracena com um pastor alemão fêmea, é convincente em mostrar como acaba ficando um ser humano isolado por tanto tempo. O mais surpreendente é o final do filme, que tem uma mensagem cristã subjacente- de sacrifício abnegado de uma pessoa pelo resto da humanidade. O final alternativo, que não foi para os cinemas, é ao meu ver ainda melhor do que o final escolhido pelos roteiristas, pois passa uma mensagem de perdão e compreensão.

Ao final, o filme acaba tendo uma abordagem grandemente diferente do livro; o Neville que passa a ter de aceitar como inevitável o triunfo da nova sociedade baseada na violência contra o diferente é distinto do Neville que salva a civilização ocidental tradicional com sua própria morte ou do Neville que consegue criar empatia com os monstros que perseguiu a vida toda.

Assim, o livro original, e o filme com seus dois finais acabam não sendo obras de uma mesma linha, mas sim textos radicalmente diferentes entre si, tendo cada um seu valor artístico-e não sendo cada uma melhor nem pior do que as outras, mas sim abordagens diversas para uma mesma ideia.

Valem a pena a leitura e a assistida.

Redação CBMBA- Tecnologia

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